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domingo, 17 de julho de 2011

Samba e Amor...


Marisa Monte (youtube)

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã...

Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão.

Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação...

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã.

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã...

Composição: Chico Buarque

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

O Malandro...


Ópera do Malandro (youtube)

O malandro, Na dureza
Senta à mesa, Do café
Bebe um gole, De cachaça
Acha graça, E dá no pé

O garçom, No prejuízo
Sem sorriso, Sem freguês
De passagem, Pela caixa
Dá uma baixa, No português

O galego, Acha estranho
Que o seu ganho, Tá um horror
Pega o lápis, Soma os canos
Passa os danos, Pro distribuidor

Mas o frete, Vê que ao todo
Há engodo, Nos papéis
E pra cima, Do alambique
Dá um trambique, De cem mil réis

O usineiro, Nessa luta
Grita: (ponte que partiu)
Não é idiota, Trunca a nota
Lesa o Banco, Do Brasil

Nosso banco, Tá cotado
'Tá cotado
No mercado, Exterior
Então taxa, A cachaça
A um preço, Assutador

Mas os ianques, Com seus tanques
Têm bem mais o, Que fazer
E proíbem, Os soldados
Aliados, De beber

A cachaça, Tá parada
Rejeitada, No barril
O alambique, Tem chilique
Contra o Banco, Do Brasil

O usineiro, Faz barulho
Com orgulho, De produtor
Mas a sua, Raiva cega
Descarrega, No carregador

Este chega, Pro galego
Nega arrego, Cobra mais
A cachaça, Tá de graça
Mas o frete, Como é que faz?

O galego, Tá apertado
Pro seu lado, Não tá bom
Então deixa, Congelada
A mesada, Do garçom

O garçom vê, Um malandro
Sai gritando, Pega ladrão
E o malandro, Autuado
É julgado e condenado culpado,
pela situação...

Composição: Francisco Buarque de Hollanda